
“Vamos valorizar o seu corpo, destacar seus pontos fortes e disfarçar os fracos.”
Nem sei quantas vezes disse e escrevi essa frase. Como #consultoradeimagem fui treinada a duvidar da perfeição do meu corpo e do de todas as mulheres. Acreditei, dei razão e até ensinei a clientes e alunas que corpo bom é corpo simétrico, harmônico, magro, alongado. E que mesmo se por uma vida inteira ela não soubesse de seus “defeitos”, agora que nós já os havíamos localizado, poderíamos corrigi-los e finalmente seu corpo seria valorizado – ela estaria livre da vergonha de ser imperfeita. Imagine você, eu já coloquei mulheres em frente a um espelho, lhes disse o que estava certo ou errado em seus corpos e propus a correção. Que triste 🙁
Há quase uma década já não faço isso. Mas levo quase duas atuando nesse mercado – eita! Hoje prezo por um método muito mais saudável de consultoria, em que nunca, jamais, em hipótese alguma, nem a pau Juvenal, eu vou falar do corpo de outra mulher, ensinar uma aluna a fazer isso. Ou vou escrever um post sobre correção/valorização – já chega meu Pequeno Livro de Estilo, com suas tantas cópias vendidas por aí, ditando como um corpo (nunca perfeito) deve ser vestido para ficar bonito (bonito pra quem?). “Mas, Ana, e se a saia estiver marcando a barriga, não faço nada?!” Respondo: “Sua cliente está incomodada?! Ela reclamou da barriga pra você? Quem está sofrendo com a barriga, você ou ela? E mais importante, porque esse sofrimento existe em você?!”. Curar-se para não ferir é essencial. .
O corpo de uma mulher pertence a ela. Não pertence a seus pais, amigos, cônjuges, indústria da beleza, da moda, religião ou a qualquer uma de nós consultoras. O que ela sente (e não nós) é o que precisa ser considerado e acolhido. Se ela nos diz algo duro sobre si mesma, acolhemos e cuidamos, sem precisar reforçar seu discurso negativo. Não negamos ajuda para atenuar a tensão negativa. E tão importante quanto o acolhimento: não saímos por aí escrevendo e pregando, quando e como os #corposfemininos devem ser valorizados e harmonizados, tampouco o da cliente com quem estamos frente a frente.
Não à cultura do ódio ao #corpofeminino #MétodoLiberta